Evolucionismo.


Neanderthal fora no passado.
Evolutivo pelo tempo
O humanóide
Se perdera no presente.

Encontra-se ausente de força
E suficiente de ego.
Engana-se na confusa
Disputa entre o errado
E o correto.
Parece perdido
Nesse mundo
Desvairado e incompleto.

Carente da profunda evolução
Assiste sem ação
Diante da tela
Sem expressão
As barbáries do dia-a-dia.
Talvez se fosse
De fato um homo sapiente
Seria um pouco
Mais ativo
E menos incoerente.

Escravo da tecnologia
Vive mentalmente em avaria,
E fisicamente em nostalgia
Com uma saúde que
Um dia fora sadia.

Caracteriza-se
Como um ser egoísta
Que constrói
Eficientemente
O erro perfeccionista.

Prisioneiro da cela
Em forma de tela
Vive evoluindo,
Mas sempre de forma incorreta.
BrunoricO.

Fábrica de cata-ventos.


Os mais loucos versos que compus
Foram regidos pelos ventos
Que romperam o meu juízo.

Nascia assim a fábrica humana
Que cataria todas as ventanias
Na busca de palavras insanas
Que provocassem rodamoinhos
Nas mentes mundanas.

Não sei se terei êxito
Na minha causa, por hora sem efeito,
Mas enquanto a tempestade não cessar
A fábrica de cata-ventos
Continuará a poetizar.
BrunoricO.

O segredo das palavras.

Na simplicidade das palavras
Mora a complexidade do mundo.
O que não se ouviu em palavras
É o que realmente foi dito.

Há os que falam e nada dizem.
E há os que nada falam
E tudo explicam.

Quem se limita em palavras
Age como tolo.
Quem pelas palavras se emudece
Age com coerência
E persuadi com sapiência,
Mesmo sem nada ter a dizer.

Sábio é o que entende
Em segundos
O que o tolo quis dizer
Em minutos.

No implícito que está explícito
Nas palavras
Escondem-se segredos.
E na valentia das palavras
Que foram ditas
Escondem-se os medos.
BrunoricO.

O sábio que vivia só.

Não vejo melhor companhia do que a minha.
Não sou egocêntrico, sou sincero.
Pessoas hipócritas
Me cercam dizendo inverdades,
Não gosto disso.
Eu sei quem sou.
Eu não minto pra mim mesmo;
Aproveitando o ensejo:
O pior ser - humano é o que mente para si mesmo.

Eu gosto de cultura,
E as pessoas gostam de ver as novelas
Que estampam as telas.
Eu penso,
As pessoas seguem pensamentos alheios.
Eu faço minhas pegadas,
As pessoas caminham pelas já existentes.
Eu decifro o que as pessoas querem decifrado.
Eu faço o meu destino
Enquanto a maioria acredita em destino traçado.
Eu falo de revolução, as pessoas não tem ação.

Eu não consigo viver com essas pessoas,
Prefiro conversar com o espelho.
No meio de estranhos
De estranhos hábitos eu fico só,
É melhor pra mim.
No meio da multidão eu mutilo a fala.
De nada adianta falar se não há ouvintes.
De nada adianta a multidão
Se a união não faz a força.
De nada adianta a visão
Se não existe a percepção.

Só me resta a mim mesmo.
E comigo mesmo eu me entendo.
E se não me entenderem eu não me importo.
Até porque além de mim, eu não entendo ninguém.
Viver só e andar feliz é saber viver.
Pois solidão nem sempre é tristeza,
Às vezes é sabedoria.
BrunoricO.

Fogueira dos poetas.

Linhas sem traços
Onde entrelaço os meus embaraços
E me desfaço do cansaço:
Poesia!

Idéias sem nexo
Onde exponho o meu mundo complexo
E simplifico em pequenos versos
Esse mundo tão sem nexo:
Poesia!

Sonhos sem lei
Que sonhei, mas pra ninguém contei
E mesmo assim os criei:
Poesia!

Gritos lidos em linhas aflitas,
Tão quietas e tão sofridas
Que em alvos sem miras
Ganham almas e absorvem vidas:
Poesia!

Amores mal resolvidos,
Desejos corrompidos,
E sentimentos não mais sentidos:
Poesia!

Sopro de Deus
Que sopra em ouvidos meus
Versos que posteriormente
São vistos por olhos teus:
Poesia!

A jóia que pobres e ricos podem
Ter independente de poder é a poesia.

A forma que o poeta usa para encantar
E sua alma mostrar é a poesia.

Valorize-a,
Exalte-a,
Enalteça-a,
E se aqueça
Na poesia.

BrunoricO.