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A culpa é minha mesmo.

Foto: Luciano Andrade.


Meu nome é Maycon, tenho 13 anos de idade. Minha mãe era muito fã do Michael Jackson, mas ela não sabia ao certo como escrevia o nome dele, daí na hora de registrar o meu ficou diferente mesmo.
Hoje já acordei com a molecadinha pedindo pra eu ficar ligeiro, pois agora quem é dimenor também pode ir preso. Eu só tenho 13, mas tô ligado que daqui a pouco eles abaixam até a minha idade, ou eu chego até a idade que eles querem, mas uma hora a gente vai se encontrar, isso é certo.
Pra falar a verdade, se eu for preso a culpa vai ser minha mesmo.
Tem gente que fala que tem que ter educação. Mas eu tive!
Quando eu ainda tinha casa, eu estudava, ia todos os dias pra escola, eu tinha uma tia que até dormia nas aulas. A outra, a tia Mônica, já chegou a falar que iria fingir que estava dando aula, pois estava há meses sem receber pagamento, acho que era uma parada de greve que estava rolando, mas se ela entrasse nessa tal greve, ia sair ainda mais prejudicada.
Na hora da merenda era legal, a gente tinha que roubar o lanche dos mais lerdos, pois não tinha merenda pra todo mundo, e como eu estudava de manhã, e em casa nem sempre tinha pão, eu ficava cheio de fome durante toda a aula, nem conseguia me concentrar muito por causa disso, por isso que eu roubava lanche. Analisando agora, eu acho que foi na escola que eu aprendi a roubar. É, deve ter sido.
No final do ano dava tudo certo, eu me sentia inteligente pra caramba, pois sempre passava de ano, depois é que fiquei sabendo que a minha escola não reprovava. Mas educação eu tive, isso não é desculpa.
Tem outra galera que fala que a culpa dessa molecadinha estar no crime é por causa da família, ou melhor, pela falta dela. Mas também não consigo entender isso, pois eu também tive família.
Minha mãe me criou sozinha, tudo bem que ela saía pra trabalhar bem cedinho - ainda no escuro - e voltava pra casa já bem de noite, e boa parte do meu dia eu ficava na rua. Mas minha mãe era carinhosa, chegava cansada e ainda conseguia me dar atenção, perguntava como eu tinha ido na escola. Às vezes ela dormia sentada, ou até mesmo fazendo a marmita para levar no dia seguinte, eu já cansei de levá-la pra cama e terminar sozinho o que ela estava fazendo, e ela sempre dizia que eu era um filho exemplar por causa disso. A gente não se via muito, mas éramos uma família, até porque, aprendi que família é mãe com filho, com todos os meus amigos era assim. Fiquei sabendo que família é outra coisa no bairro dos bacanas, mas como nunca fui lá, só posso falar das famílias que vi.
Hoje eu não moro mais com a minha mãe e nem estudo, a gente morava em um barraco de invasão, e do nada a prefeitura chegou lá derrubando nossa casa, teve um policial que deu até um tapa na cara da minha mãe só porque ela queria pegar uns documentos, nunca vou me esquecer dessa cena. Só sei que no dia a gente ficou sem saber o que fazer, minha mãe foi morar de favor na casa de uma conhecida, mas lá não tinha espaço pra dois, daí eu fugi, pois sabia que minha mãe ia pedir pra eu ficar no lugar dela, mas eu não quis isso, eu me viro muito melhor sozinho do que ela, sou novo ainda, por isso saí fora; vim escondido mesmo, até hoje minha mãe não sabe de mim, sinto falta dela, mas qualquer dia eu volto.
É por isso que não aceito quando dizem que a culpa do crime é da falta de educação ou da falta de família, eu tive os dois, e ainda tenho, pois a molecadinha aqui da praça é a minha família hoje, a gente se protege, cuida um do outro, ri junto, passa veneno junto, passa fome junto, apanha junto, tudo é junto, e pelo que eu sei essa é a essência de uma família, estar sempre junto.
Vou fazer de tudo pra não ser preso, mas se um dia isso acontecer, a culpa vai ser minha mesmo, pois tive família e tive educação.


Bruno Rico. 

O sofá maldito de Shah Jahan.


Ele controla o mundo do sofá da sala, e que sala! Equipada com uma acústica de som double surround, todas as caixas embutidas em um acabamento de rebaixamento de gesso; a mesa de centro possui um vidro temperado que não fala português, assim como todas as bebidas que ficam expostas para as visitas, que sempre surgem para puxar seu saco, pois gente que tem muito dinheiro é isso aí, tem tanto baba-ovo quanto dinheiro na Suíça.
A decoração da sala é no estilo do mais puro requinte indiano, o sujeito sentado no sofá quis criar um Taj Mahal dentro de casa, e conseguiu. Aliás, ele se sente o próprio imperador Shah Jahan, pois só sabe dar ordens para os seus empregados/servos; a expressão "por favor" não existe em seu vocabulário, mas isso é normal para quem já nasceu dando ordem nas pessoas.
Por falar nisso... O nome Shah Jahan quer dizer rei do mundo, em persa, e não existe alcunha melhor para eu chamar o meu personagem central, até porque ele não possui nome, não possui face, só possui súditos, poderes e status, e no Brasil isso já é mais do que suficiente.
Sentado no sofá maldito ele bebe o seu whisky  envelhecido por décadas, e há décadas é Shah Jahan que dá as cartas do jogo, o tabuleiro, por sinal, fica na sua sala, ao lado do sofá.
Shah Jahan é o cara que manda prender e manda soltar, é ele que diz se determinado projeto de lei vai ser aprovado ou não, é ele que escolhe o político que irá lhe representar, a emissora de TV que irá propagar a sua filosofia, é ele que decreta quais serão as principais notícias da mídia; enfim, ele manda em tudo! E é por isso mesmo que a sua diversão favorita é sentar-se em seu sofá, ligar sua TV - que ocupa toda a parede da sala - e rir, apenas rir. Ah! Um dos seus capítulos favoritos desse reality show macabro é quando ele vê a população dizendo que o presidente do país é que manda em tudo, ele ri de ter cólicas.
Shah Jahan também acha graça da morosidade do povo, que diariamente luta entre si por conta de seus mandos e desmandos, ele já cansou de dizer que irá morrer sem entender porque as pessoas ainda não se conscientizaram que estão sendo manipuladas desde o momento que acordam até o momento em que vão dormir, depois de um dia extremamente desgastante e humilhante. Ele sabe que seu império poderá ruir apenas com um assopro, caso todos os cidadãos resolvam realmente se unir em prol de um objetivo comum, mas esse é o grande problema: Shah Jahan conseguiu com que as pessoas ficassem extremamente individualistas, a maioria só pensa em causa própria, e povo desunido é sinônimo de povo fraco, e povo fraco garante o império do homem sem face e sem nome. Por conta disso, ele sabe que o seu império irá durar por infinitas gerações, certamente seus filhos e netos terão muito mais poder do que ele tem hoje.
O mais irônico de tudo isso é que Shah Jahan sabe que quando sair de seu Taj Mahal e for para a rua, a população irá realmente tratá-lo como um verdadeiro imperador, afinal, ele tem cara de homem de família (a tradicional brasileira), anda bem arrumado, é bem asseado, fala bem, é caucasiano, é cristão, não está envolvido em escândalos, possui um sorriso cintilante que irradia luz por onde passa. Definitivamente, não há porque desconfiar de um ser como este. 

Bruno Rico.

Vai dar trabalho.

Produzir ódio é muito mais fácil do que produzir amor. Produzir amor demanda tempo e, consequentemente, dá muito mais trabalho. Dependendo da circunstância, você será capaz de odiar uma pessoa em um minuto, mas jamais amará ninguém em um minuto. Vivemos em um mundo de praticidade, de aplicativos que facilitam funções, de funções que facilitam a vida, de uma vida onde o tempo é mais do que escasso, tão escasso que hoje em dia tempo está valendo mais do que dinheiro. Posto isso, é mais do que evidente que produziremos muito mais ódio do que amor. As pessoas não andam com tempo nem para cuidar de si, que dirá para produzir amor, ainda mais se esse amor for pelo outro. Sem falar do medo, quem ama quer ser amado de volta, e teme pela não reciprocidade; já quem lança o ódio, geralmente está pouco se importando se será odiado ou não pelo outro, alguns até fazem questão que esse ódio seja correspondido, mas se ele não for, será um ódio não retribuído, que dói bem menos do que amor não correspondido.
Ainda sobre o ódio, alguns acham que ele representa o oposto do amor, mas isso está longe de ser verdade, ódio exige sentimento - mesmo que ruim -, ambos caminham em uma linha muito tênue. É por isso que o verdadeiro antagonista do amor é a indiferença, que nada mais é do que a ausência de sentimento, e quando não se tem sentimento não se tem absolutamente nada.
Então já temos o tempo, o medo e a indiferença contra o amor. Percebeu como o ódio - aparentemente - possui muito mais prós do que contras? Pois então, é assim que o mundo quer que você pense, isso se chama senso comum. O amor precisa ser produzido, já o ódio possui efeitos devastadores se for apenas reproduzido. Veja mais uma desvantagem do amor: produzir algo é muito mais difícil do que reproduzir. Só que quando produzimos alguma coisa, essa coisa possuirá a nossa cara, a nossa essência, e nos dará muito mais orgulho, experimente pra ver.
O ódio é corrosivo, o amor é revigorante, a vida é muito curta para ser tão ácida.
Vença os seus medos, sua falta de tempo e a indiferença que o mundo impõe sobre você. Vai dar trabalho, mas vai valer a pena. Precisamos ter mais trabalho, precisamos produzir mais amor.


Bruno Rico.

Empoderamento negro.

Esse ano o Salão do livro em Paris homenageia a literatura brasileira, num total foram convidados 43 escritores. Eu, particularmente, só sabia da ida de um escritor negro, que é o Paulo Lins, mais conhecido pela obra "Cidade de Deus" que deu origem ao famoso filme. Portanto, só fiquei sabendo que havia uma escritora negra depois de ler esta matéria da Folha: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/03/1606652-negra-em-salao-do-livro-causa-furor-diz-autora-brasileira.shtml
Eu como escritor de pele preta sei bem o que essa escritora deve estar passando. Algo parecido já aconteceu comigo em um festival literário que participei aqui no Rio de Janeiro, as pessoas me fitavam com um olhar de estranheza, tipo "Mas esse criolo é escritor?".
Em um concurso literário que participei uma vez, fui até abordado por um dos participantes. O concurso era de poesia, e eu tinha que subir ao palco para recitar a minha, quando desci ele me disse o seguinte: "Rapaz, quando você subiu eu logo disse para a minha esposa que você não tinha cara de poeta, mas assim que você começou a recitar eu fiquei muito surpreso e feliz, pois você é dos bons, parabéns." Nem preciso dizer que o cara era branco. A abordagem dele até que foi bem amistosa e simpática, ele estava realmente satisfeito de me ver ali, pois talvez ele nunca tivesse conhecido um poeta preto pessoalmente. Eu fiquei com essa história na minha mente por muito tempo, foi algo marcante, lembro até hoje, e isso me dá força para continuar fazendo o meu trabalho, quero que as pessoas se espantem mesmo, sempre adorei quebrar paradigmas, sempre gostei de causar surpresas. Só que em contrapartida, eu sei que nem todo negro vai lidar muito bem com essa situação, até porque as pessoas são diferentes umas das outras, cada um tem sua personalidade; do mesmo modo que eu posso me sentir forte por uma situação, outro irmão pode se sentir fraco pela mesma situação. E é por isso que é tão importante que os negros estejam em TODOS os setores da sociedade, principalmente os mais prestigiados e ainda conhecidos como elitizados, pois a literatura é um ambiente totalmente elitizado, e consequentemente esbranquiçado - assim como inúmeros outros setores. Mas isso precisa mudar! Por isso o empoderamento do negro precisa ser cada vez mais forte, para servir de exemplo, para que a criança negra olhe e veja que pode ser o que quiser, mesmo que ela não se veja representada em maioria, mas ela precisa ver algo, precisa saber que existe alguém lá, fazendo o que ela quer fazer, e ela precisa ver que aquela pessoa é parecida com ela.
No caso dessa escritora deve ter sido muito pior, até por ela ser mulher e o evento ser na Europa. A sensação de se sentir um estranho no ninho é muito complicada. Mas precisamos ter representatividade!
Destaco aqui uma fala extremamente marcante da escritora:


"A presença da negra fora das instâncias em que se está acostumado a vê-la causa furor. Não seria a mesma coisa se isto aqui (o salão) fosse um festival de gastronomia em que baianas estivessem preparando acarajés."


O avião da Marina também caiu.


Analisando friamente o atual quadro político brasileiro, e deixando os meus gostos pessoais de lado, resolvi escrever uma pequena crônica política (pois é, não é só o Arnaldo Jabour que faz isso):

O percentual de diferença do Aécio para a Dilma no primeiro turno foi de 8%.
A candidata Marina obteve pouco mais de 21% de votos.
O eleitor da Marina é o eleitor da mudança. Antes da morte do Eduardo Campos, esse eleitor estava mais perdido no que gringo andando no camelódromo da Uruguaiana no Rio de Janeiro, pois ele simplesmente não sabia o que fazer da vida, ele só sabia que não queria ver mais a cara da Dilma no poder. Aí o avião caiu, estranhamente, mas caiu, e veio a Marina, com seu ar de redenção, sua aura verde de salvadora da pátria; de início ela postulou de fato como a candidata da mudança - o Brasil sempre careceu de heróis e heroínas - e a Marina veio nesse pique, e muita gente se viu representado por ela, tanto é, que na época do Eduardo Campos, o falecido (que ninguém fala mais) aparecia com humildes 8%, quando o vento estava bom batia 9%, mas não passava disso nas intenções de voto. Daí Marinete chegou e tudo mudou, só que no meio desse voo presidencial o avião dela também caiu, a candidata se perdeu no meio da campanha e alguns eleitores se perderam junto com ela.
Mas por que eu estou falando tanto da Marina se a disputa é entre Dilma e Aécio? Estou falando da Marina porque será o eleitor dela que decidirá essa eleição, na verdade, se o piloto da Marina não tivesse dormido durante o voo, era ela que estaria nessa disputa, mas o avião dela caiu, malandramente o Aécio abriu seu paraquedas e chegou tomando conta do pedaço.
Marina está prestes a apoiar oficialmente o candidato Aécio Neves, e é lógico que o eleitor dela não fará tudo que ela mandar, mas com certeza muita gente que está nos seus 21% irá votar no Aécio sim, e isso não acontecerá somente por conta do apoio dela não, isso acontecerá, pois o eleitor da Marina é o eleitor da mudança, e ele não quer a Dilma nem pintada de verde, isso é um fato.
Alguns eleitores da Marina poderão sim votar na Dilma, até porque tudo também depende do tom de campanha da presidenta nesses próximos dias, mas essas pessoas serão minorias.
A Dona Dilma ainda tem outro fator bem grave contra ela, muitos eleitores da extrema esquerda e outros tantos insatisfeitos com absolutamente tudo, irão anular o seu voto, e esses votos nulos certamente farão muito falta para algum candidato, e tudo indica que essa falta será mais sentida pela Dilma.
O eleitor da Dilma do primeiro turno vai com ela até o fim, o do Aécio a mesma coisa; já metade, ou pouco mais da metade do eleitor da Marina, deve votar no Aécio, e a outra metade deverá fazer não sei o que da vida. Os eleitores da Luciana Genro deverão votar na Dilma em sua maioria, mas isso não deverá causar tanto alvoroço no cenário, e a rejeição para ambos os candidatos totalizando brancos e nulos será muito grande, talvez até surpreendente.
Resumindo em miúdos: com o eleitor da Marina, que é o eleitor da mudança, votando em sua maioria no Aécio, e com a pouca possibilidade de pessoas se debandando para o lado da Dilma, só posso concluir a minha teoria dizendo que no dia 1º de Janeiro de 2015, os Tucanos voltarão ao poder do Executivo, pois Aécio Neves será o 37º Presidente do Brasil.
Ah, e só pra fechar: é bom que ele faça das tripas coração para conseguir fazer em quatro anos um mandato pra lá de excelente, com o mínimo de escândalos possíveis; do contrário, em 1º de Janeiro de 2019, se tiver vida e saúde, o Lulinha paz e amor toma de assalto tudo de novo.

Posso estar errado em tudo que disse? Claro que posso, até porque as pesquisas de intenção de voto são pagas e mesmo assim ainda erram boa parte dos resultados; então ta tudo certo.

Bruno Rico.

É dia de falar de segregação racial, mas por outra ótica.



O meu texto de hoje envolve um relato bem pessoal, que ocorreu há pouco mais de um ano, no dia 20 de junho de 2013, para ser mais exato.
Era época do ápice das manifestações no Brasil, o país estava em plena ebulição, era papo de gigante acordou pra cá, gigante acordou pra lá, e por conta disso muitas pessoas se animaram e resolveram ir para as ruas.
Pra quem não se recorda, esse dia 20 de junho foi o dia em que a Avenida Presidente Vargas no Rio de Janeiro, ficou totalmente tomada por manifestantes, que na verdade nem eram tão manifestantes assim, pois a grande maioria que ali estava nem sabia o porquê de estar ali.
Mas também existiam pessoas com propósitos, grupos organizados em prol de algo que eles realmente acreditavam, e por conta de um desses grupos é que eu me animei e também resolvi ir, afinal de contas, eu não queria ficar vagando pela rua sem ter pelo o que gritar e sem ter pessoas que compartilhassem do mesmo sentimento, eu não queria ir para uma manifestação para ser um mero espectador, queria me manifestar de fato, e foi isso que tentei fazer, só que infelizmente não deu. E é aí que surge o meu relato traumático, que por algum motivo eu fiz questão de guardar até hoje comigo, só que conversando com alguns amigos sobre esse fato, eu percebi que precisava escrever algo mais aprofundado sobre isso tudo, até porque eu vi e ainda vejo algumas coisas na internet acerca desse assunto, e fico sempre incomodado com algumas abordagens, então por que não escrever a minha própria abordagem com base em uma experiência real que eu vivi?
Já adiantando o assunto, o meu relato envolve segregação racial e racismo, mas não é aquele racismo clássico e histórico de branco contra negro, não, não é sobre este racismo que eu vou escrever. Quero falar exatamente do contrário, do racismo do negro contra o branco, racismo que vi de perto, e mesmo sendo um homem negro, eu fiquei profundamente incomodado com tudo que vivenciei, afinal de contas, se todos nós queremos ser vistos como seres humanos, temos que ter atitudes humanas, e foi isso que fez com que eu me sensibilizasse com o outro, independente de cor, pois se eu sou uma pessoa que luta contra o racismo, eu não posso me levantar apenas quando o branco insultar o negro, quando o contrário ocorrer eu também devo me levantar, senão eu serei um hipócrita e jamais poderei levantar bandeira contra o racismo.
Esse tema de racismo do negro contra o branco é bem polêmico, e talvez por isso muitas pessoas fujam de escrever sobre esse assunto, mas eu estou tranquilo quanto a isso, até porque já estou acostumado com algumas polêmicas que meus textos levantam, e independente de qualquer coisa, eu estou embasado em argumentos reais, então eu não tenho o porquê de ter receito ao escrever sobre isso, e pra falar a verdade eu até gosto de escrever sobre coisas que a maioria gosta de ocultar, acho que possuo certo fascínio em tirar o ser humano da sua zona de conforto.
Talvez se esse texto estivesse sendo escrito por um branco, os negros poderiam torcer o nariz, mas como é escrito por um negro, eu lhe garanto que alguns negros também irão torcer o nariz. Certamente surgirão algumas falácias. Citarei as mais clássicas: “Mas o negro sempre foi o mais racista de todos”; “O negro é racista com ele mesmo”; “O negro adora se vitimizar”. Não! Eu não concordo com nenhuma destas aspas que acabei de citar, e antes de expor o meu relato eu gostaria que isso ficasse bem claro na sua mente. OK? Então OK! Vamos ao relato:
Como no meu facebook eu tenho muitos conhecidos de movimentos sociais e movimentos negros, eu vi que um grupo de negros estava se movimentado para ir a essa manifestação do dia 20. eles criaram um grupo e por lá estavam se organizando. Como eu queria ir para a manifestação, mas não tinha um propósito muito definido do que iria reivindicar, achei bem interessante a ideia de ir com o movimento negro, até porque a causa era nobre, pelo grupo eles diziam que a causa principal era o fim do extermínio do povo negro, e eu me animei com isso, nunca tinha participado de nada parecido, era um momento único, estava de folga no trabalho, aquela tinha tudo para ser a maior e melhor manifestação do Rio de Janeiro, tudo estava culminado para que eu fosse, e por fim eu confirmei a minha presença e fui.
Minha companheira também se animou de ir comigo (ela sempre está comigo para o que der e vier), eu fui de casa e ela foi do trabalho, que era no Centro mesmo.
Assim que entrei no metrô eu fiz questão de ligar para o cara que conhecia e que havia me convidado, mas eu só conhecia por internet mesmo, até aquele momento não havia visto ninguém pessoalmente, todos eram absolutos estranhos até então.
O pessoal ficou reunido na porta da igreja da Candelária, lugar onde ocorreu a famigerada chacina da Candelária, onde menores de rua foram brutalmente assassinados na calada da noite por policias. Achei um lugar ótimo para se reunir em prol da nossa causa, e de fato era o melhor lugar para isso.
Chegando lá, ainda de dia, falei com o contato que eu tinha e vi um total de uns 35 negros. As mulheres estavam colocando os seus turbantes, alguns vestiam adornos africanos, a maioria escrevia frases em seus cartazes, e eu fiquei de pé, atento a tudo, como bom observador que sou.
Algum tempo depois a minha companheira chegou, estava animada, assim como eu também estava, pois até ali tudo estava lindo, vários cartazes com frases do Malcolm, do Martin, frases de afirmações negras, diversas pessoas parando para tirar foto; até ali eu não tinha o que falar de mau.
Eu havia levado duas cartolinas de casa, e lá nos animamos de escrever algo, eu pensei em diversas frases, mas só três viraram cartaz: “Uns preferem morrer ao ver um preto vencer” do rapper Criolo, “Cada negro que for, mais um negro virá, para lutar com sangue ou não” do mestre Wilson Simonal, estas duas estavam em frente e verso no mesmo cartaz, e em outro cartaz estava escrito “Vi um pretinho, seu caderno era um fuzil” dos Racionais Mc’s, pronto! Estávamos munidos com nossas armas para quando a manifestação começasse a andar.
Só que antes da saída da manifestação, os negros deram as mãos, fizeram uma rodinha e começaram a discursar, e foi a partir dali que começou todo o meu desapontamento.
O lugar que a gente estava acabou chamando bastante atenção, afinal de contas era o único local onde os negros estavam reunidos, as pessoas (brancas e não brancas) paravam para olhar, vi diversos brancos parando com olhar de admiração. Eu como exímio observador, reparei diversos deles falando “Caramba, que maneiro, os negros reunidos em prol da sua causa”, “Que legal esses cartazes, a luta deles, que bonito isso”, enfim, eu consegui perceber diversos elogios, e deu pra ver que era algo sincero, a maioria dos brancos que estavam em volta realmente apoiavam o que estava acontecendo, mas na hora do discurso feito pelos meus irmãos de cor, esses irmãos brancos começaram a ser discriminados.
Teve uma hora que um manifestante branco passou e gritou “Estamos juntos!”, e uma irmã de cor prontamente gritou “Estamos juntos, mas não estamos misturados”, eu não sei se o cara ouviu, mas a resposta foi pra ele, só sei que eu ouvi e não gostei.
Depois disso, percebi um desentendimento entre dois negros do meu grupo, eles gritavam um com o outro, tinha até uma mulher segurando um deles. Mesmo sem saber o motivo da briga eu achei aquilo muito feio, se tinham diferenças, que não a tirassem em público, muito menos ali, muito menos naquele momento e naquele local, pois aquilo era assunto certo para as pessoas que não apóiam nossa luta; certamente diriam: “Olha lá os pretos, depois querem falar de união, não podem se reunir que dá merda”.
Depois que vi qual era o motivo da briga, achei tudo mais estúpido ainda, é que na hora que nos negros deram as mãos, a gente ia cantar o hino nacional, foi quando um saiu da roda e depois disse aos berros: “Eu não canto o hino nacional! Não adianta, eu não canto, só canto hino africano”. Beleza, então a gente estava ali, em um movimento nacionalista, e o cara queria exigir que eu cantasse um hino africano? Putz, que idiota! Foi exatamente isso que eu disse pra minha companheira naquela hora.
Depois dessa confusão alguns negros discursaram, a maioria foi racista com os brancos, repetiam a frase “Estamos juntos, mas não estamos misturados”, falavam dos brancos da mesma forma que os negros rebeldes norte-americanos falam dos brancos em 1900. Eles apenas se esqueciam que naquela época o negro era pendurado e enforcado em poste, o bebedouro era separado, banheiro era separado, a grande Rosa Lee Parks se recusou a levantar-se de um assento no ônibus, pois os lugares eram separados, enfim, o que não faltava era meio para se praticar o racismo, e eu estou longe de dizer que o racismo acabou ou que ele não existe aqui no Brasil. Só que é preciso se adequar aos momentos, não podemos usar armas iguais em guerras diferentes, antes se usava a catapulta, hoje existe o míssil Tomahawk; deu pra notar a diferença?
O mais triste foi ver que alguns negros queriam discursar embasados na filosofia do grande Malcolm X, que foi um negro extremista sim, que foi racista com o branco sim, só que em outra época, quando esse extremismo era um instrumento de autodefesa do negro, sem contar que o grande Malcolm sofria grande influência do seu mentor Elijah Muhammad. Tanto é que depois de ir à Meca e ver que lá existiam muçulmanos de cor branca, Malcolm saiu da nação do Islã que seguia e foi percorrer o seu caminho sozinho, e a partir daí ele se desvencilhou do pensamento que o homem branco só poderia ser seu inimigo, e passou a vê-lo como ser humano, como uma pessoa que poderia ajudar na sua causa. E ele viu que o irmão negro também poderia ser seu inimigo, dependendo do interesse que estivesse envolvido, e até mesmo por isso, até hoje existem rumores que Elijah Muhammad foi o mandante do assassinato de Malcolm, justamente por não ter aceitado tamanhas mudanças dele.
É por isso que eu sempre digo que é preciso ter base e conhecimento no que se diz, ainda mais se você estiver dizendo que está falando em cima da filosofia de outra pessoa, pois é preciso conhecer bem a história dessa pessoa, conhecer a história completa, e não somente uma parte que lhe é conveniente.
Ali naquele dia 20, o ideal seria que aqueles negros usassem o discurso do ativista jamaicano Marcus Garvey, que defendia que todos os negros deveriam voltar para a África, e mesmo assim ele salientava: "Eu não tenho nenhum desejo de levar todas as pessoas negras de volta para a África, há negros que não são bons elementos aqui e provavelmente não o serão lá."
No discurso dos negros eu ouvi coisas sensatas sim, algumas pessoas chegaram e falaram sem precisar usar de racismo, mas a grande maioria foi muito racista com os brancos, que até aquele momento tiravam fotos, acompanhavam tudo atentamente, apoiavam o que era dito, só que depois eles começaram a se dissipar, e com toda a razão, pois ninguém é obrigado a ficar em um lugar onde falam que você é o mal, se você está ali para ajudar, ninguém está dentro do coração do outro para julgar intenções, e foi por isso que eu achei tudo aquilo muito errado, sem falar que descredencia a luta do negro, pois o oprimido acaba usando as mesas armas do opressor, e isso não o torna diferente, muito pelo contrário.
Aquilo tudo havia me incomodado tão profundamente que eu cheguei a tentar discursar também, precisava dar a minha opinião, só que a minha companheira me segurou, falou que não iria adiantar. E no final eu acho que ela estava certa, pois se eu chegasse na roda para falar praticamente tudo ao contrário do que estava sendo dito até então, outra briga poderia ocorrer.
Depois dos discursos, mesmo estando totalmente desanimado, e minha companheira compartilhava do mesmo sentimento, a manifestação enfim saiu e nós decidimos permanecer com o grupo, pelo menos por enquanto, mas aí eles começaram a cantar “Eu sou africano, com muito orgulho, com muito amor”, e aquilo começou a soar estranho, as pessoas nos olhavam com estranheza, o que era normal, afinal de contas, naquele dia nós estávamos em um movimento nacionalista, mesmo eu não sendo um grande patriota, eu entendi que ali estavam brasileiros lutando por melhorias, se iria surtir efeito ou não, isso é uma outra questão, mas ali estavam as pessoas que queriam gritar por algo, e aquela imagem com um monte de negros gritando que era africano, no meio de um movimento nacionalista, não soou legal.
A África é um lugar lindo de pessoas lindas, lugar este que espero conhecer antes de morrer, é um sonho que tenho, mas eu sou brasileiro, querendo ou não eu nasci aqui, e aqui também existe cultura negra, os negros já fizeram história aqui, já deram sua essência ao país, e eu sinceramente acho que é isso que deve ser valorizado, a cultura nacional do negro, tudo que ele fez e ainda faz por esse país, que ainda insiste em não valorizá-lo da maneira correta, e é isso que tem de ser gritado, pois somos negros, somos brasileiros, ajudamos a construir essa nação e temos que ser valorizados e respeitados por isso!
Agora, se um negro não se sente a vontade aqui e quer ir morar na África, é só juntar um dinheiro, comprar a passagem e ir ser feliz por lá, simples assim; existem bangalôs lindos por lá.
O texto ficou bem grande, eu sei disso, a maioria vai ficar com preguiça de ler, se você chegou até aqui, parabéns! Pelo visto o assunto te interessou bastante, e isso é bom, pois eu acho que esse tema precisa ser bem mais discutido do que é.
Peço perdão pelas linhas longas, mas não adianta, eu não consigo ser sucinto nesses casos, até porque eu preciso dessas linhas para me fazer entendido por completo, e mesmo assim tenho certeza que vai ter gente sem entender o que eu realmente quis dizer e outras tantas discordando do que eu disse. Mas não escrevi para ganhar aprovação de nada, escrevi para abrir os olhos de alguns irmãos negros, e tentar fazer com que eles entendam que se nós negros queremos que o branco nos veja como iguais, precisamos agir da mesma forma, a história nos mostra que a segregação só levou o mundo para o buraco com suas guerras insanas.
E por não concordar com tudo isso é que eu resolvi escrever esse texto, apenas por isso.

“Nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam.”
“Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele.”

* Frases ditas pelo grande mestre Martin Luther King Jr.

Seguindo a cartilha.






Em um país onde Fernando Collor de Melo consegue roubar o país inteiro e depois voltar como Senador. Renan Calheiros, corrupto comprovado, carimbado e diplomado, cumpre o seu terceiro mandato no Senado Federal do Brasil. Genuíno, Dirceu e companhia limitada ganham "doações" dos brasileiros que acreditam na Justiça. Ora! Nada mais justo que o menor delinquente que foi amarrado no poste do Flamengo por justiceiros (de ficha corrida extensa) volte para suas atividades normais, e nada mais justo que ele seja o mais cobrado, afinal, o crime dele de fato é o mais grave de todos kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk . 
Os assassinos do índio Galdino (o Pataxó queimado em Brasília) estão soltos, afinal, todos são filhos de políticos. Você se lembrava disso?
Os assassinos dos menores da Candelária também estão soltos. Você também se lembrava disso?
O prefeito, omisso e declarado culpado pela tragédia no morro do Bumba em Niterói, também está solto e sumiu do mapa, você se lembrava disso? As famílias passam necessidade até hoje.
Enfim.
Acho que você não se lembrava desses fatos, deve estar muito ocupado vociferando histericamente: "PRENDAM O DELINQUENTE, ELE NÃO TEM MAIS JEITO!" Sim, e aqui nesta terra quem é que tem? 

Bruno Rico.


É virose!


Nesta semana um novo vírus atingiu níveis alarmantes no país Fuleco, ops, do Fuleco, (desculpe pelo erro).
Este vírus veio para mudar a patologia de alguns brasileiros, vistos como hospitaleiros, festeiros, simpáticos, bons anfitriões, enfim. Brasileiro gosta de ser visto assim, e algumas pessoas que moram fora do país realmente acham que todos os brasileiros são assim, e de fato a maioria mais sofrida possui esta arte, a arte de sorrir sem ter o porquê; isso é um dom, uma dádiva dada a esse povo tão peculiar. Pois se não fosse isso, como explicar o sorriso do catador de latinha contraponto a sisudez do engravatado que se arrasta pelo centro da cidade?
Mas alguns detectores de viroses (não, eu não os chamarei de médicos!), daqueles bem engomadinhos, de jaleco alinhado, estetoscópios brilhantes, cabelinhos na gomalina e mais um monte de pompa, resolveram jogar na lama a máxima do brasileiro hospitaleiro; oras, por onde anda o famigerado padrão FIFA numa hora dessas?
Bem que minha mãe sempre me diz que esse mundo já está perdido, afinal de contas, onde já se viu brasileiro vaiando e hostilizando estrangeiros que vieram para ajudar o país?
Só tem um adendo, os hostilizadores são médicos, os hostilizados também são médicos, porém são cubanos, socialistas e comunistas de merda, seres inferiores, a maioria não bebe Coca-Cola e não come Big Mac, idolatram um velho barbudo que não é o Lula, são seres rústicos, anormais, possuem qualificação inferior (como se as nossas faculdades fossem filiais de Harvard). Enfim, este é o pensamento enraizado no preconceito, no racismo e na xenofobia destes detectores de viroses, que ainda se intitulam brasileiros. Mas que brasileiro é esse que só pensa em si, no seu bolso e na sua conveniência? Pro interior eles não querem ir, esquecem-se que nosso país é um gigante. Em cidades mais remotas ainda possuímos um médico para milhares de habitantes, acredite, isso ainda acontece em pleno 2013, ano de pré Copa.
O nosso sistema de saúde já respira com ajuda de aparelhos há anos, a situação é mais do que lastimável, pessoas estão perdendo entes queridos por falta de uma estrutura mínima de trabalho. Lógico que os detectores de viroses devem cobrar melhorias de trabalho, mas receber um colega de profissão da forma que eles receberam é totalmente vergonhoso.
Então que venham os cubanos, os chicanos, os hermanos e principalmente os seres mais humanos, pois vindo com boa vontade todos serão bem vindos, pelo menos por mim, pois não terei receio nenhum em ser tratado por um médico cubano, muito pelo contrário, pois se o diagnóstico for virose - como o de costume - pelo menos ele virá com um sotaque diferente, só para dar um charme.



Confira abaixo a matéria e o vídeo com a recepção dos detectores de viroses:



Agora veja como agem alguns dos detectores de viroses espalhados pelo Brasil:

 




O Brasil não acordou.



O povo quer ver cultura na rede Globo.
O povo quer ver imparcialidade da mídia que é controlada pelo Governo.
O povo quer ver uma polícia preparada, educada...
O povo quer ver papai Noel em pleno Junho, época de arraiá.

O povo quer demais, o povo quer que quimeras ganhem vida. Afinal, senhores manifestantes (ou vândalos, como vociferam as grandes massas tendenciosas), TV aberta não é lugar de cultura, não é lugar de instruir o povo, não é lugar de ensinar direitos, isso vai contra interesses, contra a política, ou melhor, os políticos, não espere isso da Globo e da TV aberta no geral, espere entretenimento, apenas isso, e dê-se por satisfeito.
Senhores manifestantes (lê-se vândalo, bandido e etc pela Revista Veja), não esperem que a mídia mostre todos os lados da moeda, pois ela não vai mostrar, ela vai focar em um, e será aquele que será defendido até o final, doa a quem doer, nem que para isso provas precisem ser falsificadas. Oras, os senhores se esqueceram do debate de Lula X Collor? De Brizola X Globo? Do traficante do programa do Gugu? Mas senhores, vossas memórias estão curtíssimas, a mídia brasileira num geral sempre foi assim, tendenciosa, criando coisas que sequer existem em beneficio próprio, e infelizmente são esses veículos que educam a maioria dos brasileiros que ainda insistem em se informar por um único veículo, mesmo nos tempos de hoje, com a internet cheia de mídias alternativas.
Senhores manifestantes, e a polícia? Vocês achavam mesmo que iriam ser bem tratados pelos representantes do Estado em pleno protesto contra uma medida do próprio Estado? Lembra do capitão do mato, aquele que açoitava e corria atrás do escravo fujão rebelde? Lembrou? Pois então, pelo menos nesse assunto eu acho que não preciso me alongar muito, o nobre leitor é inteligente e já entendeu onde eu quero chegar.
A questão é simples, não nos deixemos iludir, o Brasil NÃO acordou! Ele está no máximo despertando de um sono profundo, mas está longe de acordar, ainda está se remexendo pra lá e pra cá na cama, mas ele não vai levantar agora, talvez esteja no modo soneca do despertador, portanto muita calma, mas muita calma mesmo!
Essas manifestações a respeito do aumento da passagem, que começaram em São Paulo, foram para o Rio, e estão se alastrando pelo Brasil; elas possuem vários aspectos altamente positivos, e é basicamente sobre esses aspectos que eu gostaria de fazer algumas reflexões.
Uma coisa é mais do que certa: algumas pessoas finalmente estão despertando para a realidade. Por conta dos protestos, o abuso policial foi e está sendo grande (desculpe o pleonasmo), a truculência está sendo bastante usada, nas redes sociais a todo o momento surge algum relato de alguém que foi covardemente agredido pelo simples fato de estar na rua (imagina se na ditadura militar existisse Facebook, hein, mas hoje existe), até mesmo os profissionais de jornalismo que estão fazendo a cobertura estão sendo agredidos, e olha que a maioria é contra o movimento, a visão deles é outra, mas eles já estão se ajustando, pois estão tomando tiro no olho e estão voltando a enxergar melhor.
É por isso que eu digo que tudo isso que já ocorreu até agora está sendo muito bom, pois todos estão mostrando de fato as suas garras, e uma causa aparentemente simples está se transformando num monstro gigantesco, e o cidadão consciente está enxergando que não é só questão de vinte centavos, e sim de uma polícia despreparada, de uma mídia que manipula, de um Governo ditatorial que não está nem aí para voz do povo, e isso vai gerando uma revolta, e é essa revolta que de fato vai fazer o Brasil acordar, pois se olharmos por essa ótica, iremos ver que tem muita gente acordando para uma série de coisas que muitos nem esquentavam a cabeça, pois eram situações que não lhes afetava.
Outro fator muito importante a respeito dessas situações que estão fazendo com que as pessoas acordem, é a questão da abordagem da mídia. Os brasileiros estão vendo os veículos que estão priorizando um lado ao invés do outro, ninguém é cego, hoje em dia a comunicação está muito mais dinâmica, um se comunica com o outro com muito mais facilidade, o cidadão está começando a ver que a verdade muitas vezes é deturpada por conta de um interesse. Afinal, o cara vai pra manifestação, e quando chega em casa vê uma Revista Veja com uma manchete falando da marcha dos vândalos que parou São Paulo, vê uma Folha de São Paulo relatar o que não existiu, vê uma TV Globo noticiar apenas um lado, enquanto isso policial vai quebrando o vidro do próprio carro pra dizer que a culpa foi dos vândalos. A medida que o povo vai vendo isso, e vai sofrendo na pele toda essa covardia, as coisas vão clareando, e quem antes cagava e andava para o assunto começa a abraçar a causa.
É válido ressaltar que nas manifestações existem vândalos sim, e quando digo vândalos estou falando daquelas pessoas que estão ali apenas para provocar baderna a troco de nada, se duvidar nem sabem ao certo do que se trata a manifestação e estão ali, para tumultuar e fazer arruaça a troco de nada, mas isso tem em todo o lugar, e não é exclusividade do Brasil não, e esse povo é a minoria da minoria, mas aí as pessoas que são contra as manifestações sempre usam os mesmos argumentos: “ihhh, se tem vandalismo eu não apoio, ficou feio.” “Ah, estão quebrando patrimônio público, já perderam a razão.” Ou seja, argumentos pra lá de clichê, em prol de uma causa que alguns ainda acham sem importância.
Tem gente na rua falando que não é o povo que está protestando, e sim estudantes endinheirados que sequer pegam ônibus; bem, para os que pensam assim, eu só tenho a lamentar, pois protesto é protesto, barulho é barulho. E de fato o povo em si não está na rua, pois o dia que o verdadeiro povo tomar real consciência das coisas, aí sim eu vou começar a pensar se o Brasil está acordando ou não, por hora a maioria desse povo está em casa, vendo novela, ouvindo alguma música fútil, e descansando de mais uma rotina árdua de trabalho, pois o patrão, os meios de transporte, e o trânsito lhe consumiram todas as energias, e ele ainda continua achando que violência é o que os manifestantes estão fazendo nas ruas, enquanto ele é violentado todo dia, desde o momento em que acorda, até o momento em que vai dormir, mas os instrumentos de alienação estão aí para vendar-lhe os olhos.  É nessas horas que a gente vê como o trabalho do sistema está sendo bem feito, pois quando eu vejo pobre criticando uma manifestação dessas, eu penso: “É, o plano surtiu efeito.”
Para os que não têm conhecimento, é provado através de estudos que a passagem poderia ser gratuita sim, mas isso vai contra o interesse dos empresários, daí esse projeto fica sempre na gaveta (e ninguém fala muito sobre), pois de nada adianta o político agradar o eleitor, se desagradar o empresário. Tanto é que o Ministério Público sugeriu para o Governo de SP, que a passagem voltasse para o valor de R$3,00 (que já é um absurdo) por pelo menos 45 dias, enquanto se pensava em outra solução, e nesse período os ânimos se acalmariam e a seleção jogaria a sua bola de forma tranquila, mas tanto o prefeito, quanto o governador, disseram NÃO, bateram pezinho e falaram que a passagem não vai abaixar, e de fato ela não vai. Sabe quando você é criança, quer muito uma coisa, pede pra os seus pais, e quando eles falam não você começa a chorar? Só que seus pais não te dão o que você quer, pois eles sabem que se derem irão perder a moral, e toda vez que você voltar a abrir o berreiro eles terão de fazer o que você quer. Pois então, nesse caso o povo é a criança e os pais simbolizam o prefeito e o governador (pois é, PT e PSDB estão casados), e eles não vão dar esse tiro no pé de mostrar para o povo que ele tem realmente poder, se não todo mês vai ter um protesto diferente a cerca de inúmeros assuntos, e certamente político nenhum quer isso, mas não quer mesmo, pode ter certeza.
Para os que acham vinte centavos pouco, eu só faço uma pergunta: você gosta de pagar 2x por um serviço que antes era x, sendo que esse serviço não apresentou melhora nenhuma? Pois então, a passagem aumenta, nada melhora, pelo contrário, e o povo fica como otário mesmo? Se tudo acontecer como vem acontecendo vira imposição, vira ditadura, e não me venham com esse negócio que a renda do brasileiro aumentou, porque esse argumento comigo não cola, isso é falácia de economista burguês pra iludir o povo.
No Rio os carros do Exército já circulam pelas ruas, o povo está sendo tratado com ares de terrorista, pois fazer esse tipo de manifestação em época de evento internacional não é nada legal, é por isso que eu ainda sonho com o povo nas ruas na abertura da Copa do Mundo, mas eu só sonho mesmo; vou voltar a dormir, pois ao contrário do que dizem por aí, o Brasil não acordou, pois quando ele acordar – se for acordar um dia – vocês irão ver o que é barulho de verdade. 

Bruno Rico.

Segue uma musiquinha para reflexão, pois VOCÊ MERECE: