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Lição do dia.




Um diálogo qualquer, em um dia qualquer, em uma cidade qualquer, de um Governo bem qualquer...
(O diálogo segue pelo telefone)
Chefe de Polícia: - Governador, a coisa tá feia, os professores estão exigindo direitos, estão avançando e a gente está sem saber o que fazer.
Governador: - Companheiro, desce o sarrafo neles!
Chefe de Polícia: - Mas, Governador, são professores. Antes a gente batia e dava uma enganada na mídia dizendo que eram baderneiros, mas o que iremos dizer quanto aos professores?
Governador: - Meu amigo, com a mídia eu me entendo, pode descer o sarrafo sem pena, professor exigindo direitos? Onde já se viu? É bom que os alunos já vão aprendendo o que acontece com as pessoas que gostam de exigir direitos.

Bruno Rico.

Cápsulas.



Quando tinha oito anos de idade, Rômulo resolveu colocar seus sonhos em uma cápsula. Para isso, ele escreveu tudo que gostaria de realizar até os seus vinte anos de idade em um papel que arrancou de um caderno carcomido, arrumou uma cápsula de alumínio e a enterrou no quintal de casa.
Na manhã do seu aniversário de vinte anos, ele correu para abrir a bendita cápsula. Como havia escrito muita coisa, Rômulo estava meio confuso a respeito de alguns desejos, e por isso queria logo conferir para ver se tinha conseguido realizar alguns, pois a maioria ele já sabia que não tinha conseguido.
Quando abriu a cápsula, o aniversariante se deparou com seus garranchos de infância, mas conseguiu entender tudo perfeitamente, e após ler quase dez sonhos, viu que absolutamente nenhum havia se realizado; a frustração foi imediata e as lágrimas que há tempos não banhavam seu rosto, vieram como chuva de verão: intensas e destrutivas.
Aquele aniversário foi o mais frustrante de toda a sua vida, Rômulo queria trocar a sua cápsula de sonhos por uma cápsula do tempo e sumir do mundo, mas nem isso ele conseguiu.
Os anos foram ficando cada vez mais afoitos, e quando estava com seus vinte e nove anos de idade, Rômulo já era um frustrado de carteirinha, havia se tornado alcoólatra, e a cápsula da vez agora vinha em forma de remédio, que ele tomava para tentar curar a tristeza que parecia enraizada em suas vísceras.
Em uma madrugada dessas de lua cheia no céu, Rômulo voltava para o seu barraco, depois de mais uma noite de bebedeira, e quando estava subindo uma ladeira do morro, começou um tiroteio, aquele velho conflito entre polícia e bandido onde ninguém sabe quem é quem e todo mundo atira pra tudo que é lado. E eis que uma bala acerta as costas de Rômulo, o tiro foi fatal, a cápsula da vez girava quente no chão enquanto a vítima de sua bala esfriava sem vida no mesmo solo.
Por fim, Rômulo deitou-se em sua última cápsula, e a enterraram na mesma terra que tempos atrás ele havia depositado os seus sonhos.

Bruno Rico.



Senhor Brasil (mini conto).


Um senhor chamado Brasil vinha andando pela rua, quando de repente deparou-se com uma mulher extremamente bonita, e não se contendo com tanta formosura chegou perto dela e disse: 
- Nossa! Que morena bonita. 
A moça fez cara de poucos amigos, e logo retrucou dizendo: 
- Meu senhor, eu não sou morena não, eu sou negra! 
O senhor - metido a galanteador - simplesmente concluiu o gracejo dizendo: 
- Magina, você é tão bonita!

Bruno Rico.