Crônica de um mundo ruim.


Posso estar sendo clichê nas palavras, mas eu estou longe de ver a tal luz no fim do túnel que tanto anunciam por aí.

Talvez sejam os analíticos e críticos pensamentos de um bom vivant que não está sabendo viver a vida nesse sórdido mundo, ou talvez o mundo não esteja sabendo tirar o melhor de mim, pois o melhor eu tenho, mas ainda está em mim, somente em mim. Não sei se a culpa é minha ou se a culpa é do mundo, que parece me ignorar tratando-me como um reles vagabundo.

Mas não sou eu o mais ignorado, longe disso. Os mais ignorados são justamente os que compõem o time dos descamisados, esses sim, são constantemente ultrajados e humilhados. Pobres coitados! E são justamente esses que me dão agonia de ver, são justamente esses que me fazem questiona-me o porquê do viver e nada ter. Mas dizem que o que importa é ter saúde, e que nem só de pão vive o homem, tudo bem, há quem aceite tais argumentos, mas eu não! Eu quero pão para minha nação, quero evolução para os meus irmãos, e quero educação digna para as crianças que cercam-me nas ruas pedindo moedas, ou simplesmente um mínimo de atenção.

É duro viver num mundo vadio onde o ser - humano já nem sabe o valor de seu brio.
O ser desgarrado de fé a cada dia parece mais fosco, falta fé para os mortais que em meio a tantas religiões nem se acham mais; e quando digo fé não digo em Deus, nele também, mas falta a fé da auto-estima, até para não se crer em nada as pessoas precisam ter fé que nada existe.

A fé também está contida nos céticos, e eu sou cético quanto ao mundo que vivo, ou seja, não possuo fé nele, mas possuo fé em mim, e é isso que falta nas pessoas, mas o mundo é tão cruel que ele tenta incessantemente a todo instante fazer com que eu perca a fé em mim mesmo, mas em mim eu ainda acredito, pelo menos em mim, e por hora, é o que me resta. As mazelas do mundo estão fazendo com que as pessoas percam a fé em si, e com isso todos perdem, basta ver as esquinas das vielas das favelas, onde jovens armados vendem em sacos plásticos a fuga da realidade em suas mais variadas vertentes, só que até para se fugir da realidade também se paga um preço; tudo é pago! Até para morrer tem que pagar, mas a despedida desse carrossel de ilusões parece ter um preço justo.
As igrejas abrem aos montes como se fossem meros negócios, fiéis são arrebatados como se fossem novos sócios.

Já estamos em um estado tão crítico de uma guerra tão suja, que quem ficar de pé depois do último round já não será mais visto como vencedor, pelo contrário, pois em uma guerra sem ética só existe perdedor.

O cotidiano está cada vez mais promíscuo, sem riscos ou novos traços artísticos. Onde estão os verdadeiros artistas da novela dramática chamada de vida? Pois eu lhes digo que eles existem, ou melhor, subsistem, já que não ganham a devida notoriedade nessa imunda sociedade.
Sociedade que idolatra pseudos artistas na TV e ignora a verdadeira arte dos que nada possuem e mesmo assim ainda conseguem sobreviver.

Da minha janela eu só ouço "pó de cinco, pó de dez, pó de vinte", quando na verdade eu queria e deveria estar ouvindo os sons dos pássaros, que infelizmente passam na velocidade da luz por aqui, assim como as balas de traçante. E dessa mesma janela eu deveria estar vendo o bailado das folhas caindo das árvores em meio à paz do ambiente, mas não é isso que vejo; vejo crianças crescendo sem afeto, num ambiente totalmente deprimente.

Estou com vinte e poucos anos e nada mais me assusta, aliás, só esse relevante fato é que me assusta. Eu deveria perder a esperança lá para os quarenta e muitos anos, mas não, ela já se foi, e faz tempo. Eu deveria ser otimista, um jovem engajado em algum partido progressista, mas sempre que olho pela fechadura do mundo, me torno cada vez mais pessimista, ou melhor, realista, já que infelizmente a realidade é pessimista, pelo menos a que vivo é, não sei a sua, espero sinceramente que ela seja melhor.

Quando acordo e vejo o sol que insiste em nascer, eu não vejo mais vida, vejo apenas o brilho que se ofusca, a vereda doa dia-a-dia que parece não ter mais espaço para passar, a luz que se apaga sem sequer avisar, vejo o andarilho que por toda vida vagou, morreu sem nada, e sequer descansou; vejo um dia de luta, vejo um dia de morte, vejo um dia sem sorte.
Desculpem as palavras tristes e o desânimo com o mundo, talvez quando eu estiver com barbas brancas eu consiga escrever a "Crônica de um mundo bom"; por hora, o que tenho... É o que tenho.

2 comentários:

Beto disse...

Bruno, só criando um novo pra melhorar.

Anônimo disse...

Muito bom,além de mostra o que acontece de verdade com a sociedade nesse mundo

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