Espelho das vaidades.


A sombra do humilde
É soberba diante
Do espelho da imparcialidade.

Ninguém se vê pelo que é,
Muito menos se nota com os olhos que tem.
Se todo espelho refletisse verdade
Ninguém se olharia com tanta vaidade.

Os narcisistas só se amam,
Porque se enganam
Com o reflexo distorcido da mentira.

Os espelhos que ousaram refletir verdade
Foram abolidos da humanidade,
Em seus lugares foram colocados
Os espelhos que só refletem vaidades.


BrunoricO.

O dia que não existirá.

Eis um novo mundo.
Sem muro,
Sem cerca,
Sem seca.

Eis a utopia:
Um mundo de paz
Onde a cor da pele
Já não importa mais.
Eis o mundo da igualdade
Onde todos se cumprimentam
Sem falsidade
E as mentes iludidas
Já não existem mais.

Eis o meu sonho
Mais do que tolo:
Um mundo novo
Cheio de utopias
Onde todos se olham
Nos olhos sem dizer mentiras.
BrunoricO.

E se fossem anjos e deuses jogados ao chão?


Jogados no chão
Eles se sentem como lixo,
Vivem como lixo
E são vistos como tal.

Não possuem mais
Forças para sair dali.
As poucas que possuíam
Foram minadas
Pelo julgador
Que aponta,
Afronta
E desdenha
Do ser por trás da casca
Do medo.

O medo, aliás,
É o regente
Da ópera maldita.
O medo invoca
E provoca o julgamento
Antecipado e inadequado
Do ser jogado ao chão
Que carece de compreensão.

Chão que exibe morte
Em forma de gente
Ainda viva.
Chão pisado por vivos
De corpo,
Mas mortos de alma.

Seria o chão da Terra
O céu do inferno?
Seriam anjos e deuses
Os habitantes do chão
Da Terra?

Ironia seria
Se os vistos como demônio
Fossem entidades do bem,
E os vistos como santo
Fossem entidades do mal.

Se os moradores
Do chão
Forem anjos e deuses
Os julgadores e apontadores
Já não possuem
Escapatória para a salvação.

BrunoricO.

Sensibilidade.

O surdo não ouviu os gritos do louco
Que passou furioso ao seu lado;
Mas ao sentir sua tensão,
Pegou o louco pela mão,
Proferiu-lhe uma linda oração,
E a fúria do que antes bradava com agonia
Fora transformada em unção
Pelo homem que nada ouvia,
Mas tudo sentia.

BrunoricO.

Folhas azuis.


No meio da imensidão de árvores na floresta,
Uma se destacava por seu estilo
Mais do que peculiar.
Era a árvore de folhas azuis;
Ao contrário das que a cercavam,
Tal árvore não possuía
Folhas verdes como as demais,
Suas folhas eram azuis,
Algumas mesclavam entre
Tons claros e escuros,
Mas todas eram azuis.

Por ser diferenciada
A árvore de folhas azuis
Era profundamente discriminada.
Os pássaros não faziam morada
Em seus galhos,
Os felinos não a escalavam
E as outras árvores dela não gostavam,
Pois a invejavam por ser diferente.

Certo dia um grupo de madeireiros
Resolveu cortar todas as árvores da floresta,
Mas preservaram a de folhas azuis,
Justamente por ela ser diferente.

Durante anos a árvore de folhas celestiais
Imperou impoluta como um ponto azul
Na imensidão da solitária floresta.
E como os pássaros
Que outrora a desprezavam
Não possuíam mais opção,
Restou-lhes apenas,
A eterna bajulação.

BrunoricO.


Comentário do autor: Os diferentes também possuem o seu valor e a sua beleza particular. Ninguém precisa e nem deve ser igual a ninguém; que chato seria o mundo se todos fossem iguais, pensassem e agissem da mesma forma. É preciso ser diferente , o mundo já está farto dos seres iguais.
Viva a diferença!