Corre que ainda dá tempo.


Não fique parado!
Mova-se mesmo que seja rumo ao chão,
Beijar a lona não é sinal
Do fim de uma luta,
Aproveite que o adversário
Pensa que você está acabado
E acabe com ele!

Não tenha medo da queda,
Não tenha medo de perder,
Não tenha medo de ter medo,
Isso é normal,
O medo sempre impulsionou grandes vencedores.
Mas não queira vencer nada,
Pois uma vitória
Quer dizer que uma guerra acabou,
E ela nunca acaba.
Ao invés de querer vencer,
Queira apenas soltar
Um largo e sincero sorriso
Ao final de uma árdua batalha,
Depois você me diz
Se isso não é a verdadeira vitória.
E por falar em sorriso...
Sorria mais,
Experimente doar
Um sorriso cintilante para alguém que sequer imagina
Que alguma coisa ainda brilha nesse mundo.

Se você incomoda alguém
É sinal de que você é importante,
E se você não incomoda ninguém
É sinal de que você também é importante,
Mas, além disso, é sábio,
Pois não serás alvo da famigerada inveja.

Não cultive desafetos,
Não queira que queiram a sua vida,
Mostre aos invejosos
Que você não tem uma vida perfeita,
E que nem quer ter,
Eles entenderão o recado
E darão uma ênfase maior a própria vida,
Que é o que eles sempre
Deveriam ter feito.

Seja falso com os falsos se for preciso,
Mas aos verdadeiros, doe-se por completo.
Sobre isso eu posso alertar:
Nunca confie em quem não lhe olha nos olhos.

Procure viver sem
Se julgar um ser de grande importância,
A partir daí você verás
O quanto é valioso.

Pule, dance, corra, arrisque,
Emudeça-se e depois grite,
Tente tudo que ainda não tentou,
E se algo parecer monótono,
Faça uma coisa simples: agite!

Não tema uma onda gigante
Só porque sua prancha é pequena,
Surfe com a alma,
Agigante-se diante da onda que
Insiste em lhe amedrontar,
Se preciso deixe o mar te levar,
Com certeza ele te guiará
Para um belo e magnífico lugar.

Não tema amores novos
Pelos traumas causados
Por amores antigos,
Pois amores antigos
Não foram amores, no máximo paixões,
Pois amor de verdade nunca é antigo, é eterno.
Ame o novo como se fosse a primeira vez,
Vai que de fato é realmente a primeira vez?
Se você ficar com medo
Vai morrer achando que amor
É aquela coisa pífia que te fez sofrer e chorar no passado.
Nunca ache que seu coração já viveu de tudo,
Deixe que ele te mostre
O poder do novo,
Mesmo que para você pareça velho.

E quando finalmente o seu coração
Se cansar de tentar qualquer coisa,
Ele irá avisar, e você certamente saberá,
Mas infelizmente não poderá fazer mais nada,
Pois ele irá parar de bater,
Não bombeará mais sangue, muito menos sentimentos
Para suas veias.
Mas enquanto isso não acontece
Faça tudo que for possível fazer,
Só não faça o que o primeiro verso disse:
Não fique parado!

Bruno Rico.

Eu escrevi isso tudo para lhe dizer que ainda dá tempo. De quê? Não sei, me diz você.

Poesia evasiva.





Existem certos pensamentos e palavras

Que o melhor a se fazer é guardar para si.

E é justamente por esse motivo,

Que nesta poesia – pelo menos nesta.

Eu não escreverei mais nada,

Simplesmente nada.


BrunoricO.

Auto depreciação poética.


Sou sujo, Ímpio.
Homem de alma podre.
Sujeito vadio,
Torto e acanalhado.

Falso até na frente do espelho.
Egocêntrico e vil.
Desprezível perante os demais.

Fingidor, poeta falido.
Carrego comigo um sorriso abatido,
Desprovido de real emoção,
Encantamento e fervor.

Petulante, arrogante.
Metido a gênio,
Metido a gente.
Um ator que atrás da cortina é um,
E no palco é totalmente incoerente.

Pseudo-romântico,
Destruidor de sentimentos alheios.
Construtor de desejos profanos
E sonhos insanos.

Foi preciso fazer uma auto depreciação
Para perceber que realmente não sou nada!
A não ser um excremento no meio da multidão.

BrunoricO.

Aconselho a auto depreciação poética a todos, principalmente para aqueles que se acham realmente alguma coisa, pois em algum momento na vida você vai perceber que não vale nada, e quando eu digo nada é nada mesmo!

A mutação da matéria.

O abismo que surge na alma
Funde um novo ser sem matéria.
Esse ser navega pelo mar incolor
Que deságua nas águas
De um desgosto colorido.

Eis que uma onda
Inimaginável invade
Sua alma e afoga
Os últimos vestígios de esperança.

É nesse momento que o ser,
Antes sem matéria,
Personifica-se em uma nova criatura,
Agora sem sonhos,
Sem expectativas,
E sem desejos de algo melhor.

Agora ele vive por viver,
Falar por falar,
E age por agir.
Deixou de ser humano,
Virou um peso a mais na terra,
Daqueles que só servem
Para roubar um pouco de ar
Daqueles que ainda
Insistem em viver.

Hoje quem o vê,
Não vê nada.
Sua alma é translúcida,
Sua mente já não é mais lúcida,
E em seu peito ele carrega uma insondável ferida.

A antimatéria finalmente ganhou carne
E é sustentada por ossos.
E como o ser sem alma já não possui
Mais forças para nada,
O osso dói mais do que a carne.
Pois pilar nenhum suporta uma estrutura
Que não quer ficar de pé.

BrunoricO.

Onde aprisionaremos os inocentes?


Dominados pelos instintos coletivos
De seus adestradores,
As feras se rebelam
E se aglutinam atrás das grades da exclusão.

Eles estampam o reflexo do lixo humano,
Suas sombras estão mais condenadas
Do que seus corpos.
Suas almas escondem
A verdadeira chave da libertação,
Mas a maioria está totalmente sem direção;
E com isso o objetivo se resume a apenas um: a domesticação.

Mas eles não aceitam coleiras,
Não são tão dóceis assim.
Eles possuem raiva escorrendo pela boca,
Possuem bombas pulsantes dentro de seus peitos.
Suas ogivas internas escondem o material
Mais destrutivo do mundo: o ódio.

Ódio regado que nem flor.
E o jardim funesto dos excluídos está abarrotado de corpos.
Corpos estes que ainda possuem vida,
Mesmo que não digna.
Os corpos de que falo, antes carregavam sonhos,
Hoje apenas carregam o fardo
De ter que atrás das grades ainda viver.

Culpados? Sim!
Mas nem todos que estão do lado
De fora são inocentes.

BrunoricO.