Um tiro.


Movido a fogo.
Rasga a carne e fere a alma.

Regente do caos.
Arranca o ator da ribalta.

Desmantela a vida,
Presenteia a morte.

Teor Corrosivo,
Instinto opressivo,
Veloz como o animal mais destrutivo.

Senhor das guerras,
Rival da paz.

Astro de uma ópera rudimentar
Que felicidade não me traz.

Escorre sangue...
Jorra dor.
Destrói os sonhos
De um corpo que se estirou sem valor.

Basta um,
Somente um,
Não mais do que um
Para transformar
Morte em algo comum.

Basta um,
Somente um tiro
Para gerar o último suspiro.

BrunoricO.

Poesia de baixo calão.


Eu não ando bem,
E não existe ninguém que me entenda
Nesta merda de mundo.

Dizem que pode ser crise existencial;
Crise existencial é o caralho!
Eu não tenho esta porra,
Eu sou mesmo é um fudido incompreendido
Cercado por mentecaptos filhos de uma boa puta
Que acham que o mundinho deles é um exemplo a ser seguido.

Terra de bandidos!
Os bons por aqui são banidos
E os incompetentes é que são promovidos.
Tem horas que paro, analiso e reflito,
E vejo que está todo mundo tomando no cú todo dia
E tem gente que ainda vive rindo.
Rir do que é engraçado é sadio,
Mas rir do que não tem a menor graça
É no mínimo doentio.

Mas que se foda,
Está tudo certo (pelo menos assim pensa a maioria).
Às vezes eu acho que o único que
Se preocupa com essas merdas sou eu.
O pior é que isso me deixa puto,
Mas foi como eu disse no início:
Eu não ando bem,
E não existe ninguém que me entenda
Nesta merda de mundo.

BrunoricO.

* Poesia expelida em um momento crítico de raiva com tudo que me cercava e ainda me cerca.

Estereótipos.

No céu o sol brilha mais que olhar apaixonado.
Na rua dois sujeitos caminham
E logo em seguida entram em uma agência bancária;
O primeiro aparentemente descuidado,
E o segundo visivelmente requintado.

Eis o primeiro:

Cabelo crespo,
Corpo franzino e pele preta.

Cabeça baixa,
Olhar distante e feição acobardada.

Voz voraz,
Palavras de baixo calão e discurso evasivo.

Vestimenta pouca,
Chinelo no pé e no pescoço um cordão.

Eis (perante a sociedade)
O estereótipo do ladrão.

Eis o segundo:

Cabelo grisalho,
Porte robusto e pele clara.

Cabeça erguida,
Olhar resoluto e feição impoluta.

Voz envolvente,
Palavras persuasivas e discurso rebuscado.

Vestimenta adornada,
No pulso um relógio suíço
E no pé um sapato que é um primor.

Eis (perante a sociedade)
O estereótipo de um doutor.

Dentro do banco, na surdina, ocorria um assalto,
Foi tudo muito bem planejado,
Nem chegou a ter mãos para o alto.

Após o ocorrido, o primeiro saiu do banco,
Foi quando a polícia imediatamente
Parou-lhe com um bordão:
Mãos para o alto negão!

Enquanto isso,
O segundo saía da agência bancária
Com a maleta do assalto na mão.

BrunoricO. 

Asserção de poeta (caso falte um amor).


O que serei eu se não conseguir
Ser o que sempre sonhei ser?

Um frustrado talvez,
Um inconformado com o destino,
Ou na mais revoltada das hipóteses
Serei eu um desafiador de Deus.
Culparei e inventarei alguma força suprema e onipotente
Que se responsabilize pelo meu fracasso,
Afinal, um bom fracassado sempre procura
Um culpado para sua derrocada.

Talvez eu vire um daqueles amargurados,
Do tipo que faz morada em bares,
Ou que frenquenta os mais excêntricos lugares
E carrega milhões de patuás
Na esperança de espantar os azares.

Talvez eu fique desse jeito
Se eu não vier a conseguir
Ser o tal sujeito perfeito.

Mas o que serei eu se não conseguir
Ter o amor que sempre sonhei ter?

Aí sim eu posso afirmar:
Serei um completo frustrado,
Um inconformado com o destino,
Um ímpio que desafiará os poderes de Deus,
Pois ele será o maior culpado.

Andarei amargurado pelos bares,
Serei visto desprovido de alegria em diversos lugares,
E carregarei comigo meus patuás
Que tentarão inutilmente me livrar dos inúmeros azares.

Certamente eu ficarei desse jeito,
Se eu não vier a conseguir
O amor que me preencha o peito.

BrunoricO.

Toda autenticidade será castigada.


Queria ser mais rude com as pessoas,
Menos sentimental.
Mais frio,
Menos sorridente.
Mais arrogante,
Menos compreensivo.
Mais individualista,
Menos solidário.

Mas não consigo,
Só consigo apenas SER EU, e ponto.
Não consigo me transformar em um
Personagem mais mundanamente adequado.

O SER EU
Às vezes me causa muita dor,
E a dor me amputa os anseios mais verdadeiros;
A dor me faz questionar se vale mesmo
Apena pensar mais nos outros do que em mim,
A dor me faz ver que SER EU
Não me faz tão feliz assim.

Eis o meu calvário:
SER EU.

BrunoricO.